quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Ceres de 4 c. com sobretaxa de 50 c. (1923)

Selo tipo "Ceres" de 4 c., da emissão de 1921, com sobretaxa de 50 c. (Afinsa n. 247)

A impressão da sobretaxa foi determinada pela Portaria n. 387 de 21 de Março de 1923 para remediar à momentânea carência de selos da taxa de 50 c. devida ao atraso das novas remessas da Casa da Moeda.  A mesma portaria estabeleceu que a sobretaxa fosse imprimida, pela Imprensa Nacional em Lourenço Marques, sobre 500.000 selos de 4 c.
.
 
Carta expedida de Macuse (Porto Bello) em Dezembro 1923 com destino à Suíça.
Franquia composta por um par de selos de 4 c. com sobretaxa de 50 c. a pagamento do porte simples para uma carta com peso até 20 g com destino ao estrangeiro (porte em vigor de 15/4/23 a 1/6/24).

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

A cobrança dos portes para a correspondência expedida por via aérea (1932-1939)

Até não assumir a forma definida na Instrução 3/1 de 28/2/1938 da Repartição Técnica dos Correios e Telégrafos de Lourenço Marques, entrada em vigor a partir de 14/3/1938, os correios de Moçambique tem adoptado, desde a formalização do serviço de transporte da correspondência por via aérea, diferentes modalidades de cobrança dos portes.
----------------------
Num primeiro período que vai de 16/7/1932 (data da Portaria 1.713 que de facto estabelece as primeiras regras para o serviço de correio aéreo) a 18/7/1937 (data de entrada em vigor das Instrução 16/8 de 8/7/1937) o valor a ser pago pelo expedidor era rigidamente separado entre porte normal (correspondente à tabela em vigor para a correspondência a ser transportada por via superfície) e sobretaxa aérea. A razão disso era que o serviço aéreo não era prestado pela Administração Postal de Moçambique mas por outras Administrações às quais iam de direito todos os valores cobrados das sobretaxas (Art. 3° da Portaria 1.713:  “A importancia da sobretaxa especial será paga adiantadamente nas estações postais e cobrada como rendimento postal pertencentes a outras Administrações”).

Pela mesma razão, devendo acertar contas com Administrações estrangeiras, preferiu-se estabelecer o valor da sobretaxa em franco-ouro, a moeda de referência adoptada pela UPU, devendo o expedidor pagar em escudo ao câmbio estabelecido pelos correios  (Art 4  da portaria 1.713: “As sobretaxas especiais serao incluidas na tabela respectiva pelo seu valor em francos ouro, cujo equivalente em escudos será notificado ao publico pela Direcção dos Serviços dos Correios e Telégrafos”).

Porte e sobretaxa são também diferenciados ao franquear as cartas. O porte é pago mediante selos e a sobretaxa é paga em numerário em escudos, sendo o pagamento testemunhado pela etiqueta azul M/13 com o valor manuscrito em francos-ouro.

Tendo em conta as tabelas de portes em vigor no período de referência,
Destino
Primeiro porte carta simples
Interior
$50 até 28/3/1934
$80 depois 28/3/1934

África do Sul
$90 até 1/4/1936 
$80 depois 1/4/1936

Portugal
$80


Estrangeiro
1$40 até 21/2/1934
1$65 até 12/9/1934
1$75 depois 12/9/1934
podemos decompor o porte pago por exemplo para a expedição da carta seguinte (colecção Altino Pinto, foto publicada no Boletim do CFP de Junho 2009):

Carta registada com peso de 7 g expedida de Tete para Paris no dia 13/8/1934.
Franquia de 3$00 e etiqueta M/13 com valor manuscrito de 1,47 francos-ouro.

Porte
Porte de uma carta até 20 g para o estrangeiro = 1$65
Prémio de registo: 1$30
Total porte: 2$95 arredondado a 3$00 pagos em selos
Sobretaxa
Sobretaxa segundo tabela de 1,47 francos-ouro por cada 15 g para uma carta expedida para países da Europa e transportada por aviões da linha aérea Tananarive-Broken Hill (OdS de 2/8/1934). Paga em númerario ao cambio comunicado pela direcção dos Correios. Se, por exemplo, o cambio tivesse sido de 3$00 por 1 franco-ouro, o remetente teria pago 4$41, arredondado para 4$50 segundo quanto previsto a partir de 2/8/1934, data da OdS  148/40 na qual vem especificado que:  “... os centavos serão sempre arredondados para mais e em dezenas, isto é, não sao admitidas fracções de $10, $20, $30, etc.

Mais um exemplo (ex colecção Manuel de Sousa – desconheço o actual proprietário):

Carta registada com peso de 10 g expedida de Mossuril para Portugal em 9/12/35.
Franquia de 1$20 e etiqueta M/13 com valor manuscrito de 0,98 francos ouro.

Porte
Porte de uma carta até 20 g para Portugal = $80
Prémio de registo: $40
Total porte: 1$20 pagos em selos
Sobretaxa 
Sobretaxa segundo tabela  de 0,49 francos ouro por cada 5 g para uma carta expedida para países da Europa e transportada por aviões da linha aérea Tananarive-Broken Hill (Instrução 6 de 7/2/35 entrada em vigor em 1/3/35).
Sobretaxa paga: 0,49 x 2 (sendo o peso de 10 g) = 0,98 francos-ouros pagos em numerário ao cambio comunicado pela direcção dos Correios.
-----------------------
Num segundo período, de 18/7/1937 data de entrada em vigor das Instrução 16/8 de 8/7/1937, até 14/3/1938. data de entrada em vigor da Instrução 3/1 de 28/2/1938, o porte da correspondência é cobrado como se fosse um porte único, indiferenciado ou parcialmente indiferenciado entre porte simples e sobretaxa aérea.
O expedidor paga em numerário e em escudos o valor total estabelecido nas tabelas (já expressas unicamente em escudos) para o envio de cartas até 5 g ou por cada 5 g a mais até 20 g, ou por cada 5 g, dependendo das instruções.  O valor total  pago é transcrito na etiqueta M/13 e no sobrescrito não é afixo qualquer selo postal. Para este fim foram aprontadas novas etiquetas com a indicação da moeda em escudos. Continuou contudo a ser frequente o uso das etiquetas anteriores devendo interpretar a importancia manuscrita como em escudos e não em francos-ouro.
Para cartas com peso superior a 20 g e outras taxas aplicava-se a tabela em vigor dos portes da correspondência normal, para além de quanto previsto.

Como exemplo podemos ver esta carta (vendida no Ebay):
Carta registada com peso (suposto) entre 10 e 15 g  expedida
de Lourenço Marques para India (via Karachi) em 27/12/1937.
Etiqueta M/13 com valor manuscrito de 10$00.

Porte e sobretaxa
Importância a pagar pelos primeiros 5 g = 4$00 (Instrução 22/9 de 30/8/37 entrada em vigor em 10/9/37)
Importância a pagar por cada 5 g adicional = 2$00 x 2 = 4$00
Prémio de registo: 2$00
Total porte e sobretaxa:10$00 pagos em numerário.
-------------------
A partir de 14/3/1938, data de entrada em vigor da Instrução 3/1 de 28/2/1938, o porte e a sobretaxa são pagas em escudos  exclusivamente com selos, determinando assim o desaparecimento das etiquetas M/13.
Portes e sobretaxas nas tabelas voltam a estar diferenciados. O porte simples, porém, já não corresponde à tabela em vigor para a correspondência enviada por via de superfície mas é, independentemente do destino, fixada em  $80 até 20 g e $50 por cada 20 g ou fracção a mais. O único país que se diferencia são os Estados Unidos para os quais é como se restasse em vigor a tabela normal, prevendo assim 1$75 até 20 g e 1$00 por cada 20 g ou fracção a mais.

Podemos ver como exemplo a carta a seguir:


Carta registada com peso (suposto) entre 10 e 15 g expedida
de Vila Cabral para Suíça em Junho 1939. Franquia de 9$40.

Porte
Porte de uma carta até 20 g = $80 (Instrução 3/1 de 26/2/38 em vigor desde 14/3/1938)
Prémio de registo: 2$00
Total porte: 2$80 pagos em selos
Sobretaxa
Sobretaxa segundo tabela:  2$20  por cada 5 g para uma carta expedida para Suíça (Instrução 3/1 de 26/2/38 em vigor desde 14/3/1938).
Total sobretaxa paga: 2$20 x 3 (sendo o peso entre 10 g e 15 g) = 6$60

Total da franquia: 9$40.

domingo, 29 de agosto de 2010

"SOS" (Stamps On Stamps) de Moçambique

O selo n. 1 de Moçambique (5 réis tipo "Coroa" de 1876) é o selo mais vezes "filatelizado", sendo motivo principal nas emissões de 1976 e 1996.

1976 - Centenário do Selo Postal

1996 - 120 Anos do Selo Postal

Em 1978, em ocasião da Exposição Internacional de Filatelia "Capex ´78", o selo n. 1 de Moçambique é associado ao n. 1 do Canada (1851) ...

1978 - Capex ´78

... e em 1990, no bloco comemorativo da Exposição Mundial de Filatelia "London '90" é figurado juntamente ao "Penny Black" de 1840 da Grã Bretanha.

1990 - Exposição Mundial de Filatelia "London '90"

Os restantes SOS:

1953 - Exposição Filatélica de Lourenço Marques
Nos dois selos figuram bem 9 selos:
1853 - Portugal - D.Maria II (25 réis)
1948 - Moçambique - "Catedral de Lourenço Marques"
1948/49 - Moçambique - "Motivos locais" (15$00)
1948 - Moçambique - "Nossa Senhora de Fátima" ($50)
1949 - Moçambique - Selo comemorativo do 75º Aniversário da União Postal Universal
1950 - Moçambique - "Ano Santo" (1$50)
1951 - Moçambique - "Peixes de Moçambique" ($50)
1952 - Moçambique - Selo comemorativo do IV Congresso do Turismo Africano
1953 - Moçambique - "Borboletas de Moçambique" ($50)


1953 - Centenário do Selo Postal Português
1853 - Portugal - D.Maria II (5 réis)


1978 - Exposição Mundial de Selos Postais "Praga '78" (selo e bloco)
1919 - Checoslováquia - Aniversário da Independência (50 h.)

1985 - Dia do Selo
Taxa de 1 MT: 1918 - Companhia de Moçambique - Motivos locais (10 c.)
Taxa de 4 MT: 1911 - Companhia do Niassa - Motivos diversos com sobrecarga "REPUBLICA" (25 r.)
Taxa de 8 MT: 1918 - Companhia de Moçambique - Motivos locais (½ c.)
Taxa de 16 MT: 1924 - Companhia do Niassa - Selo de porteado (1 c.)

Por última, por precisar de mais comentários, deixei a série emitida em 1984:

1984 - Dia do Selo - Carimbos de Moçambique
Taxa de 4 MT: Moçambique - Bilhete Postal de 20 r.
Taxa de 8 MT: 1898/1901 - Zambézia (presumivelmente) - D.Carlos I (15 r.)
Taxa de 12 MT: 1935 - Companhia de Moçambique - Correio aéreo (20 c.)
Taxa de 16 MT: 1937 - Companhia de Moçambique - Motivos locais (2 Esc.)

Além de estar muito mal desenhados, os motivos destes selos apresentam alguns erros:
O carimbo de Barue que ilustra o selo da taxa de 4 MT não é fiel ao original tendo sido inexplicavelmente acrescentada a inexistente legenda "COMP. DE MOÇAMBIQUE".


(Foto de um Leilão do Clube Filatélico de Portugal)

Na taxa de 8 MT, no selo D.Carlos I de 15 r. é omissa a legenda que identifica o distrito.
Na taxa de 12 MT, o selo escolhido foi pelo menos inapropriado: um selo de Correio Aéreo obliterado por uma marca marítima.

O selo de 16 MT foi novamente posto em circulação em 1998 (?) com a sobretaxa de 10.000 MT.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Mapa da Ilha de Moçambique em selo

Em 1969 foi emitida uma série de 5 selos comemorativos do IV Centenário de Camões na Ilha de Moçambique. O motivo da taxa de 1$50 é um antigo mapa da Ilha, adaptado porém às pequenas dimensões do selo. 


O mapa original foi publicado em Itinerarium de Jan Huygen van Linschoten (Amsterdão 1596).